sábado, 25 de agosto de 2012

CONTRATRANSFERÊNCIA


A contratransferência é um fenômeno que não se pode dissociar do fenômeno transferência. Em todas as relações que temos ocorrem tais fenomenos que podem ser entendidos, a princípio, como projeções e introgeções de conteúdos psíquicos entre pessoas.
No último encontro do Clube de Revista do Instituto Fernando Pessoa, ocorreu um debate sobre este tema a luz do artigo: "Contratransferência: Uma revisão na literatura do conceito" do autor Leopoldo Gonçalves Leitão. A viagem pelos conceitos elaborados através dos tempos e o entendimento que cada autor fazia de tal fenômeno, contribuiu para a compreensão atual que se faz sobre o tema. A ocorrência em setting terapêutico da transferência e contratransferência é uma ferramenta rica para o tratamento psicológico do paciente bem como para o terapeuta em sua própria jornada de auto-conhecimento e treinamento técnico para o execício de sua profissão.
Vimos que na evolução teórico-prática tem-se a possibilidade de entender a contratransferência sob quatro diferentes óticas dentro da perspectiva psicanalítica. Segundo "Teorias Clássicas" a contratransferência é considerada como um produto de conteúdos não analisados do terapeuta e que por tanto deve ser contidos. Já a "Teoria da Totalidade" tem por princípio o reconhecimento de que a origem de certas emoções no terapeuta são provenientes do paciente e que portanto, o fenômeno da contratransferência pode ser uma ferramenta útil para compreender o paciente. Após esta compreensão surgiu a "Teoria da Contratransferência Neurótica Útil" que enfatiza a necessidade de um melhor preparo do terapeuta (auto análise) para o uso mais assertivo da contratransferência como ferramenta de trabalho. A teoria mais atual acerca da contratransferência sugere que esta é um "Componente do Campo Analítico", assim como a transferência, e que devem ser compreendidas em conjunto.
Para além do texto, viu-se também um diagrama Juinguiano que explica o fenômeno da transferência como um todo. Segundo Christofer Perry (2011) diagrama é chamado de "Quatérnio Analítico", pois pressupõe a comunicação entre quatro instâncias: o consciente e o inconsciente do analista e o consciente e o inconsciente do paciente. Seis vértices são elucidados dentro das relações de consciente e inconsciente entre analista e paciente:
1) Consciente do analista - Consciente do paciente: onde ocorre a relação real entre analista e paciente; representa a Aliança Terapêutica.
2) Inconsciente do analista - Inconsciente do paciente: marcada pela ientificação projetiva e introjetiva.
3) Consciente - Inconsciente do analista: relação do analista com seu próprio inconsciente; deve estar menos bloqueada do que a do paciente.
4) Consciente - Inconsciente do paciente: relação do paciente com seu próprio inconsciente.
5) Inconsciente do paciente - Consciente do analista: necessidade que o paciente tem do ego do analista e de um canal para a projeção do paciente; e a tentativa consciente do analista de entender o inconsciente do paciente.
6) Inconsciente do analista - consciente do paciente: projeção do analista sobre o paciente, e também o acesso consciente do paciente ao inconsciente do analista.
A partir da exposição das teorias tivemos a contribuição das experiências clínicas de vários colegas em um debate rico e elucidativo acerca do que se compreende atualmente por psicoterapia, transferência e contratransferência, e formação pessoal do psicoterapeuta.
Referências:
- LEITÃO, L.G. Contratransferência: uma revisão na literatura do conceito. Revista Análise Psicológica, 2003 (pag. 175 - 183).
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v21n2/v21n2a04.pdf
- PERRY, C. Transferência e Contratransferência (pg 219 - 245). Compêndio da Cambridge sobre Jung. Editora Madras, 2011.
Imagem:
Obra de Vladimir Kush. Site oficial: http://vladimirkush.com/ 


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