sexta-feira, 26 de outubro de 2012

SUBJETIVIDADE E INTERNET


O estudo dos efeitos da Internet sobre a identidade pessoal são ainda escassos. Dessa forma, pretendemos discutir as qualidades atrativas da rede, seu uso patológico e nas suas influências sobre os relacionamentos interpessoais. Alguns autores vêem a Internet como estimulantes da autoexpressão livre que, por sua vez, pode favorecer o desenvolvimento de novas identidades. 
A influência na cultura do corpo, com as novas relações de imagem, como Orkut e, atualmente, o Facebook contribuem de forma positiva e negativa; A cultura pós-moderna supervalorizando a aparência em detrimento do ser.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

INSIGHT

Este Clube de Revista procurará questionar o termo insight, que se faz muito presente principalmente na psicanálise, como sendo adequado, para representar o que se busca em uma análise. Tentaremos traçar, desde o senso comum o significado da palavra insight, até como conceito psicanalítico elaborado e visitando outras teorias psicológicas.
A psicologia cognitiva, por exemplo, está interessada em investigar como este fenômeno ocorre. Interessa-se por investigar o como pensamos, como se dá a aprendizagem e o processamento cognitivo. O fenômeno do insight por sua vez, é um dos menos conhecidos nesta área da psicologia/neurociência. Cenário que, aos poucos, começa a mudar.

sábado, 25 de agosto de 2012

CONTRATRANSFERÊNCIA


A contratransferência é um fenômeno que não se pode dissociar do fenômeno transferência. Em todas as relações que temos ocorrem tais fenomenos que podem ser entendidos, a princípio, como projeções e introgeções de conteúdos psíquicos entre pessoas.
No último encontro do Clube de Revista do Instituto Fernando Pessoa, ocorreu um debate sobre este tema a luz do artigo: "Contratransferência: Uma revisão na literatura do conceito" do autor Leopoldo Gonçalves Leitão. A viagem pelos conceitos elaborados através dos tempos e o entendimento que cada autor fazia de tal fenômeno, contribuiu para a compreensão atual que se faz sobre o tema. A ocorrência em setting terapêutico da transferência e contratransferência é uma ferramenta rica para o tratamento psicológico do paciente bem como para o terapeuta em sua própria jornada de auto-conhecimento e treinamento técnico para o execício de sua profissão.
Vimos que na evolução teórico-prática tem-se a possibilidade de entender a contratransferência sob quatro diferentes óticas dentro da perspectiva psicanalítica. Segundo "Teorias Clássicas" a contratransferência é considerada como um produto de conteúdos não analisados do terapeuta e que por tanto deve ser contidos. Já a "Teoria da Totalidade" tem por princípio o reconhecimento de que a origem de certas emoções no terapeuta são provenientes do paciente e que portanto, o fenômeno da contratransferência pode ser uma ferramenta útil para compreender o paciente. Após esta compreensão surgiu a "Teoria da Contratransferência Neurótica Útil" que enfatiza a necessidade de um melhor preparo do terapeuta (auto análise) para o uso mais assertivo da contratransferência como ferramenta de trabalho. A teoria mais atual acerca da contratransferência sugere que esta é um "Componente do Campo Analítico", assim como a transferência, e que devem ser compreendidas em conjunto.
Para além do texto, viu-se também um diagrama Juinguiano que explica o fenômeno da transferência como um todo. Segundo Christofer Perry (2011) diagrama é chamado de "Quatérnio Analítico", pois pressupõe a comunicação entre quatro instâncias: o consciente e o inconsciente do analista e o consciente e o inconsciente do paciente. Seis vértices são elucidados dentro das relações de consciente e inconsciente entre analista e paciente:
1) Consciente do analista - Consciente do paciente: onde ocorre a relação real entre analista e paciente; representa a Aliança Terapêutica.
2) Inconsciente do analista - Inconsciente do paciente: marcada pela ientificação projetiva e introjetiva.
3) Consciente - Inconsciente do analista: relação do analista com seu próprio inconsciente; deve estar menos bloqueada do que a do paciente.
4) Consciente - Inconsciente do paciente: relação do paciente com seu próprio inconsciente.
5) Inconsciente do paciente - Consciente do analista: necessidade que o paciente tem do ego do analista e de um canal para a projeção do paciente; e a tentativa consciente do analista de entender o inconsciente do paciente.
6) Inconsciente do analista - consciente do paciente: projeção do analista sobre o paciente, e também o acesso consciente do paciente ao inconsciente do analista.
A partir da exposição das teorias tivemos a contribuição das experiências clínicas de vários colegas em um debate rico e elucidativo acerca do que se compreende atualmente por psicoterapia, transferência e contratransferência, e formação pessoal do psicoterapeuta.
Referências:
- LEITÃO, L.G. Contratransferência: uma revisão na literatura do conceito. Revista Análise Psicológica, 2003 (pag. 175 - 183).
http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v21n2/v21n2a04.pdf
- PERRY, C. Transferência e Contratransferência (pg 219 - 245). Compêndio da Cambridge sobre Jung. Editora Madras, 2011.
Imagem:
Obra de Vladimir Kush. Site oficial: http://vladimirkush.com/ 


sábado, 30 de junho de 2012

OS SONHOS NA PSICOTERAPIA


O sonho é um fenomeno que ocorre naturalmente na psique humana, mas é possível compreendê-los? A proposta deste encontro foi justamente fomentar esta questão! Cada disciplina da área da saúde e mesmo escolas filosóficas do meio Psi "entendem" os sonhos cada qual a sua maneira.
A maioria dos profissionais Psi, sentem uma dificuldade inicial do que fazer quando um paciente traz para a psicoterapia o relato de seus sonhos, justamente por que este fenômeno tem uma certa imprecisão no que se refere ao seu significado. Na discussão do grupo pudemos verificar que não se pode ficar preso no interpretacionismo, pois a amplitude e a particularidade de significados que um único sonho pode ter é vasta. O melhor a se fazer é utilizar o sonho como mais uma das ferramentas para entender os indicativos emocionais e estruturantes do paciente. Uma ótima forma do psicoterapeuta ficar mais a vontade diante dos sonhos dos pacientes é a busca pela compreensão de seus próprios sonhos, se perguntando acerca de seu momento de vida, acontecimentos diários, angustias iminentes e também estando atento aos detalhes do sonho e como se sente ao relatá-lo em sua terapia.
Para quem acha que não sonha, vai a dica de exercitar a capacidade de "recordar". Todos nós temos mais de um sonho por noite, e as neurociências dão conta de comprovar isto através de leitura cerebral no momento do sono REM, que é a parte do sono onde temos os sonhos mais vívidos. Porém há uma rara condição, chamada de Síndrome de Charcot-Wilbrand que acomete algumas pessoas tirando-lhes a capacidade de sonhar, mas esta síndrome está relacionada a lesão cerebral causada por AVC ou outro tipo de perda orgânica.
Tendo um tema tão interessante como este, não era de se duvidar que entraríamos em campos mais intrigantes como o sonambulismo, mas tivemos que deixar este tema como possibilidade para um outro encontro.

Leituras indicadas para o encontro:
- VANDENBRERHE, Luc. VANDRÉ, Artur. A análise de sonhos nas terapias conitivo comportamentais. Revista: Estudos de Psicoloia. Campinas - SP. 2007.

- SILVA, Elena Beatriz Tomazel. Sonhar é preciso; Viver não é preciso. Revista brasileira de Psicoterapia. 2011.
Outras leituras:

sábado, 26 de maio de 2012

O JOVEM ADULTO


As novas tecnologias amplificam as experiências que, antes, eram restritas a poucos privilegiados. Somos atropelados por um turbilhão de informações, sempre com novos cenários, novas possibilidades, nos convidando e até nos obrigando a criar um novo olhar. Tudo é apresentado como novo a todo o momento e essa é a realidade mais vibrante que podemos usufruir, pois ela proporciona a percepção da juventude plena, intensa, frenética e que se renova a cada segundo.

Dessa forma, vem a sensação de que ser jovem agora é, também, uma realidade dos adultos, aqueles que antes abandonavam a juventude quando descobriam as responsabilidades que as escolhas exigiam. Hoje, isso não acontece mais. Hoje isso nem sequer é necessário. O aumento na expectativa de vida transformou completamente esse cenário. Surge, assim, o “jovem adulto”, afinal, agora todos queremos ser jovens, e fazemos escolhas que sustentam essa condição. Este é o tema abordado neste Clube de Revista. Levantamos questões acerca do jovem que está iniciando a vida adulta, o adulto que está tentando 'parar no tempo' e os efeitos colaterais que estas posturas acarretam para cada faixa etária.

FILMES RECOMENDADOS SOBRE O TEMA:
"Jovem Adulta" (Young Adult, 2011) - Assista o trailer
"Caindo na Real" (Reality Bites, 1994) - Ficha Técnica

sábado, 28 de abril de 2012

MANEJO DE PAGAMENTOS NA PSICOTERAPIA


Neste encontro de abertura dos encontros do Clube de Revista do Instituto Fernando Pessoa discutimos o manejo dos pagamentos do tratamento de psicoterapia, baseados nas leituras indicadas e também leituras e materiais trazidos pelos colegas participantes. Na discussão pudemos abrir questões como a relação da motivação para o tratamento e o valor da sessão; a simbologia do pagamento; a dificuldade que o psicólogo tem de cobrar; e a particularidade da cobrança em clínicas escola.
Como qualquer tema da psicologia, somos levados a pensar sob aspectos filosóficos, práticos, culturais e particulares de cada sujeito. Cada aspecto abordado tem igual importância, nenhum deles á mais importante que o outro. Se iniciarmos o pensamento considerando que o tratamento de psicoterapia é um serviço e precisa ser cobrado, não deixamos de pensar no tema VALOR, que se trata não somente do monetário mas do valor simbólico que são atribuidos tanto ao paciente quanto ao terapeuta. Qual é o valor que o paciente atribui para seu terapeuta, sua terapia e sua saúde? Qual é o valor que o próprio terapeuta atribui a si mesmo e a sua profissão?
A discussão não tem a função de fechar o tema, mas sim ampliá-lo para que cada profissional faça sua busca por um melhor entendimento e atuação no campo terapêutico bem como de sua subsistência, pois afinal de contas a Psicologia Clínica é nosso meio de vida!

Textos utilizados no encontro:
- NORONHA, Olímpia Rosa. O estagiário-psicoterapeuta e as relações de pagamento/dinheiro com os pacientes de clínicas-escola. Revista:Comunicações e Reflexões.

- SLEMENSON, Karin. Sem ou Cem? Sobre a inclusão e o manejo do dinheiro numa psicanálise.

Outras leituras recomendadas:
- FIGUEIREDO, Ana Cristina. Vastas Confusões e Atendimentos Imperfeitos: A clínica psicanalítica no ambulatório público.